23 de abril de 2021

Quais as lições que a Amazon ensinou ao FRLN Advogados?

Por Gustavo Henrique Gonçalves Nobre CEO do FRLN Advogados.

Não é nenhuma novidade para o meio empresarial: a Amazon, definitivamente, é uma das BigTechs que mais despertam a admiração e o interesse em todo mundo empreendedor. 

Tudo começou em 1994, em Seattle, nos EUA, com Jeff Bezos, que até então era um mero operador do mercado de ações sem grande expressão. Por ser um bom observador dos fluxos de mercado, o Fundador logo percebeu que a Internet estava virando um ambiente bastante promissor para o desenvolvimento de novos negócios.

Interessante notar que uma das maiores características da Amazon é o poder de pensar adiante. Em relação a sua estratégia de desenvolvimento, a gigante do comércio eletrônico era, inicialmente, apenas uma livraria online. O motivo da escolha por vender livros online? O preço do produto, o volume de títulos disponíveis e a facilidade de engajamento orgânico de leitores/consumidores em comunidades literárias. 

Aliás, a Loja que vende de A a Z, foi uma das primeiras a dar voz ao seu consumidor, permitindo-lhe comentar e fazer revisão literária dos livros adquiridos em sua plataforma, de maneira livre e pública, criando engajamento de consumo em rede. 

Na verdade, a Amazon compreendeu que o consumidor, um terceiro desinteressado na venda, seria o melhor vendedor da organização, vez que não recebendo comissão de venda, gerava maior confiança e engajamento na hora de indicar o produto a ser adquirido por outro consumidor. 

Aqui, uma primeira lição: cultura organizacional, direcionada ao cliente, como centro de tudo, é receita certa para o sucesso de qualquer empresa.

Porém, de uma livraria online a um marketplace, como conhecemos hoje, a “Loja que de tudo vende” trilhou uma trajetória insculpida em muita inteligência, eficiência e visão de oportunidade para enxergar o que ninguém, até então, enxergava. 

Em palavras exatas, como toda startup recém nascida, a Amazon precisou de uma dose cavalar de inovação para fugir do famigerado “Vale da Morte das Startups”. 

Isso porque, mesmo sem deter um só centro de distribuição, a gigante do varejo global celebrou alguns contratos de parceria promissores com grandes atacadistas e distribuidores de livros para desovar seus livros encalhados, garantindo aos seus clientes um acervo descomunal  de obras e claro, sem investir um mísero centavo em estoques. 

Chegamos à segunda grande lição: economia em parceria é um jogo perfeito de ganha-ganha.

Muitas biografias apontam Jeff Bezos como um homem extremamente metódico e sistemático, algo que permitiu que sua empresa executasse seus planos de maneira imbatível.

Daí o seu fascínio pela palavra relentless, do inglês “implacável”, que a propósito, era como antes se chamava a Amazon. Não por acaso Bezos demorou um ano, a contar do início das atividades da livraria online, para lançar seu site e, quando o lançou, em pouco tempo, começou a incomodar grandes livrarias dos EUA, como a Barnes & Noble. 

Terceira lição: mais importante que a velocidade de execução é o nosso planejamento e direção para o caminho certo. 

Já em 2000, quando o fundador da Amazon lançou sua infraestrutura técnica de marketplace,   numa nítida tentativa de expandir seu portfólio de produtos, Bezos deparou-se com uma das maiores crises da história recente da economia mundial, “a crise da bolha das .com”. Para que se tenha ideia da desordem econômica provocada na Amazon, naquele ano suas ações caíram de US$100 para US$6, uma desvalorização de mais de 90%. 

Depreendemos uma quarta lição: as crises são fenômenos econômicos que podem acabar com as empresas ou podem ser, apenas, detalhes no storytelling das organizações. Sendo assim, visão de futuro e estratégias nítidas são essenciais para superá-las.

Avançando um pouco mais na linha do tempo, em 2005, a Amazon inaugurou o programa de assinatura Amazon Prime, que veio a ser consolidado como um serviço de entrega rápida conjugado com o fornecimento de entretenimento por streaming.

Dessa maneira, para além de uma intermediária na compra e venda de produtos para o consumidor final, a Amazon ampliou seus horizontes para um cenário empresarial de serviços e, ainda mais importante, passou a ter uma arma perfeita para compreender os gostos e comportamentos de seus consumidores. 

E não parou por aí. 

Percebendo a ociosidade de seus servidores, em 2006, a Amazon lançou um serviço B2B para apresentar solução outsourcing para problemas de cloud computing, a chamada Amazon Web Services (AWS), passando a focar em uma atividade até então totalmente fora de seu portfólio. Hoje a Amazon domina o maior marketing share no segmento de computação em nuvem do planeta! 

Lição número cinco:  ampliar o escopo do negócio faz expandir sua lucratividade, sendo assim, o que fazemos hoje não define o que iremos fazer no futuro.

Nos idos de 2007, a “Loja que vende de A a Z” colocou no mercado a primeira geração de produtos de seu novo projeto, o Amazon Kindle, um e-reader que começou a ser planejado ainda em 2004, sendo lançado de maneira estrondosa  e alçando a Amazon a uma posição de forte liderança no mercado de livros digitais. 

Mas o leitor mais desavisado deve se questionar, como uma empresa que nasceu enquanto livraria de obras físicas resolve, simplesmente, investir num dispositivo que, em regra, concorreria com o mercado de livros físicos já dominado por ela mesma há anos? 

A resposta para o questionamento é direta e abarca nossa sexta lição aprendida: empresas que buscam longevidade, tendem a antecipar-se à concorrência, antecipando-se a difundir produtos e serviços que poderão tomar parte significativa do seu mercado atual.

De 2007 para cá, é possível destacar outros grande inventos da Gigante do Comércio eletrônico, como o sistema Prime Air  (para entrega de encomendas com drones), a Amazon GO, um supermercado sem atendentes humanos, onde você faz as compras só tirando os produtos da prateleira e saindo pela porta, o  Echo, um sistema de controle de dispositivos domiciliar que serve como assistente pessoal usando a inteligência artificial Alexa, concorrente da Siri e Cortana, enfim, vários produtos e serviços que não param de conectar a BigTech ao dia-a-dia das pessoas.

Lição sete: nunca pare de inovar!

No dia 02 de Fevereiro de 2021, Jeff Bezos anunciou sua despedida do posto de CEO da Amazon para dar lugar à Andy Jassy, que chefiava a Amazon Web Services (AWS). O substituto carrega conquistas no comando de um dos setores mais lucrativos da empresa. Em 2020, a AWS, por exemplo, obteve US$ 45,4 bilhões em vendas líquidas e US$ 13,5 bilhões em receita operacional. Segundo Bezos, “Andy é bem conhecido dentro da empresa e está na Amazon há quase tanto tempo quanto eu. Ele será um líder notável e tem toda a minha confiança”

A oitava e última lição: devemos construir sucessores que sejam tão bons ou melhores que nós, para que um dia ocupem a nossa posição dentro da organização; isso nos trará paz de espírito quando chegar o momento de pendurarmos as chuteiras.

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