1 de abril de 2021

Ecossistemas de startups: seria o Brasil o novo Vale do Silício?

Por Vinícius Lamenha Lins Pinheiro

Muito tem se discutido ultimamente se o Brasil tem a possibilidade de se tornar um grande Vale do Silício nos próximos anos, tendo em vista a grande expansão recente do setor de tecnologia, com forte penetração nos mais diversos setores de mercado, incluindo nos setores mais tradicionais, como os da construção civil, agronegócio, imobiliário, etc. Nós, do FRLN Advogados, resolvemos entrar na discussão e nos provocamos no sentido de concluir se o Brasil pode se tornar um dia um grande Vale do Silício nos próximos anos.

Inicialmente, por que o interesse no tema? Para quem não nos conhece tão bem, somos uma sociedade jovem de advogados, um tanto antenados e curiosos nos movimentos atuais dos mercados, bem como no futuro destes, em especial no mercado tecnológico, sendo um dos pioneiros no estado de Alagoas na prestação de serviços jurídicos específicos voltados ao setor de startups e empresas diretamente ligadas a tecnologia e inovação.

Em segundo lugar, para responder ao questionamento do título, se faz necessário compreender o que seria o Vale do Silício e no porquê de o Brasil todo estar interessado neste questionamento. Em outras palavras, por quê seria importante saber se o Brasil pode se tornar um novo Vale do Silício?

Iniciando as respostas aos questionamentos, sabemos que o Vale do Silício nada mais é do que o nome dado ao maior ecossistema de tecnologia e inovação do mundo, o que inclui startups e empresas de tecnologia. Atualmente o Vale é localizado na Califórnia-EUA, local que tradicionalmente abriga as sedes e onde as maiores empresas de tecnologia do mundo tiveram início, a exemplo das gigantes americanas Apple, Microsoft, Facebook, Google, Tesla, dentre outros gigantes da tecnologia, que, nestes casos, iniciaram como empresas bem menores ou mesmo startups.

O Vale do Silício não tem uma autoridade central, já que seus limites podem variar de acordo com a definição e incluir de dois a nove condados – e cada governo local tem seus próprios assuntos a resolver, no entanto, os efeitos do boom tecnológico ultrapassam as barreiras das regiões administrativas e provocam migrações sociais que transformam o norte da Califórnia.

Não restam dúvidas de que, na nossa visão, o Brasil avançou muito nos últimos 10 anos no setor de tecnologia e startups, possuindo hoje não só grandes polos tecnológicos, a exemplo dos existentes nos estados de São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, como também em outros polos de outros estados, mas os citados são atualmente os maiores e de maior destaque, também detendo as maiores empresas do setor.

Neste cenário também percebemos um crescimento mais forte em novos estados, porque as empresas menores e startups têm buscado capital em outras regiões, o que acaba favorecendo e fomentando o surgimento de novos polos, assim como tem ocorrido também no Vale do Silício, na Califórnia.

No campo empresarial, o Brasil também tem tido algum destaque na formação de empresas de tecnologia e também revelado grandes nomes na área da Tecnologia da Informação, a exemplo do o brasileiro Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook, ao lado de Mark Zuckemberg, porém, apesar das importantes conquistas dos últimos anos, importante frisar que ainda vemos com certa preocupação a resistência de setores mais tradicionais, sobretudo de indústria de base e no agronegócio, em aderir às inovações e tecnologias para incrementar produtividade e ganhar mercados.  

Na minha visão, as empresas mais propensas e que se mostraram mais abertas a aderirem às novas tecnologias e inovar foram as dos setores mais concorridos, onde as margens de lucro também são mais comprimidas, como os setores de varejo e supermercados. Este último apenas de um período mais recente para cá.

Neste cenário, é difícil dizer que o Brasil possa vir a formar, um dia, um ecossistema que se aproxime do porte do Vale do Silício, no entanto o país tem apresentado talentos pessoais e vocação para a área de engenharia e inovação tecnológica, com empresas brasileiras ganhando destaque e prêmios internacionais, mas seguimos confiantes de que o setor ganhe cada vez mais espaço dentro das empresas e do setor privado em geral, bem como de mais incentivos fiscais e científicos do setor público, que ainda nos parece um tanto incipiente e cauteloso.

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